Enfisema pulmonar

Enfisema pulmonar pode ser definido como uma dilatação permanente e anormal dos espaços aéreos situados distalmente ao bronquíolo terminal, com destruição das suas paredes.

É portanto uma doença que acomete o ácino pulmonar e, de acôrdo com a área do ácino que é preferencialmente lesada, pode ser classificado em:

  1. Enfisema acinar proximal - é aquele que lesa a parte proximal dos ácinos.

  2. Enfisema acinar distal - é aquele que lesa a parte distal dos ácinos.

  3. Enfisema panacinar- é aquele que lesa todo o ácino.

  4. Enfisema irregular - lesa de maneira irregular os ácinos, sem preferência por uma determinada área de cada ácino.


O enfisema acinar proximal (também chamado de centrolobular), costuma ser bilateral e difuso, causando sérios transtornos respiratórios. É causado pelo tabagismo crônico, leva muitos anos para se manifestar clinicamente e é o que mais leva pacientes ao médico.

Acomete principalmente as porções mais altas (ápices) dos lobos superiores dos pulmões. Os pulmões tornam-se volumosos, pálidos e as porções centrais dos lóbulos exibem cavidades com paredes enegrecidas.

Durante anos e anos de exposição às muitas substâncias químicas presentes na fumaça do tabaco, ocorre irritação crônica das vias aéreas, com processo inflamatório importante nos bronquíolos terminais e respiratórios. Com isto há aumento da quantidade de células inflamatórias, principalmente macrófagos e leucócitos polimorfonucleares, no córion e luz dos bronquíolos. Estas células liberam diversas enzimas, entre elas a elastase, que é capaz de destruir as fibras elásticas presentes nos pulmões e que lhe conferem elasticidade. Normalmente a ação da elastase é contrabalançada por anti-proteases (ex: alfa-1-anti-tripsina produzida no fígado), mas ação das anti-elastases é inibida por substâncias químicas presentes na fumaça do tabaco. Além disto, outras substâncias químicas aí presentes, dificultam a formação da elastina, que iria substituir as fibras elásticas perdidas.

Deste modo o tabaco age por três mecanismos para causar enfisema:

  1. aumenta o número de células inflamatórias nos bronquíolos (com conseqüente aumento na liberação de elastase),

  2. inibe a atividade das anti-proteases,

  3. inibe a neoformação da elastina.

 


O enfisema acinar distal (também chamado de enfisema parasseptal), costuma ser associado a cicatrizes pulmonares, ficando limitado às suas proximidades, de modo que costuma ser pequeno e não costuma causar sintomas nos pacientes. As áreas acometidas mostram pequenas cavidades de paredes delgadas, que se concentram junto aos septos interlobulares.


O enfisema panacinar (também chamado de enfisema panlobular), é causado pela deficiência genética da produção de alfa-1-anti-tripsina (a1AT) pelo fígado. Indivíduos que têm esta deficiência genética não produzem, ou produzem uma forma defeituosa de a1AT. Com isto, a elastase liberada nos pulmões pelos macrófagos e polimorfonucleares, age sem contrôle, lesando as fibras elásticas. Estes pacientes correm um risco muito grande de desenvolver enfisema, principalmente se são fumantes ou se se expõem a ambientes muito poluídos.

É uma forma pouco pouco freqüente de enfisema, mas é grave, levando indivíduos relativamente jovens à morte. As lesões concentram-se nas bordas anteriores e nos lobos inferiores dos pulmões.


O enfisema irregular costuma estar associado a cicatrizes pulmonares, sendo portanto geralmente limitado a pequenas áreas. É a forma mais freqüente de enfisema, embora raramente cause sintomas que levem o paciente ao médico.


Qualquer forma de enfisema (mas principalmente o parasseptal e o irregular) pode levar à formação de grandes bôlhas (muitas vezes chamado de enfisema bolhoso). Estes pacientes podem apresentar pneumotórax espontâneo quando uma destas bôlhas, de localização sub-pleural, se rompe.

O têrmo enfisema muitas vezes é utilizado para designar lesões que não se enquadram exatamente na definição que utilizamos.