Tumores do Intestino Grosso

Os tumores benignos mais importantes do Intestino grosso são os pólipos, que podem ser macroscopicamente classificados como:

Pólipo séssil é qualquer pólipo que macroscopicamente mostra uma base larga de implantação, já o pólipo pediculado tem um pediculo longo e estreito que o liga à mucosa.

Microscopicamente os pólipos são classificados como:

Os pólipos hiperplásicos são muito mais frequentes do que os adenomas, geralmente são menores (0,1 a 0,3 cm de diametro), macroscopicamente são sésseis e microscopicamente mostram glandulas serrilhadas revestidas por epitélio típico, proliferado. Não são lesões pré-malignas.

Os demais pólipos não neoplásicos são raros (menos de 1% dos pólipos) e têm pouca importância.

Por sua vez os adenomas podem ser subdivididos em:

Quando encontramos um pólipo é importante que o classifiquemos pois os adenomas, por conter displasia, são lesões pré-malignas. Como muitas vezes os adenomas são múltiplos, é importante o exame endoscópico de toda a extensão do intestino grosso (colonoscopia).

Com base neste exame e na classificação histológica do adenoma, podemos subdividir os pacientes em um grupo de alto risco e outro de baixo risco para o desenvolvimento de neoplasias malignas do intestino grosso. As caracteristicas importantes a se notar são:

  1. Tamanho do pólipo - Pólipos grandes têm maior potencial de malignização.
  2. Número de pólipos - adenomas múltiplos têm maior potencial de malignização.
  3. Localização do pólipo - adenomas do reto e sigmóide têm maior potencial de malignização.
  4. Tipo macroscópico - os adenomas sésseis são mais propensos à malignização do que os pedunculados.
  5. Tipo macroscópico - adenomas vilosos são mais propensos à malignização do que os tubulares e os tubulo-vilosos.
  6. Displasia - adenomas com displasia acentuada são mais propensos à malignização do que aqueles que apresentam displasia leve ou moderada.
Deste modo os adenomas considerados de baixo risco são os solitários, com menos de 2 cm de diâmetro, pedunculados (ou se forem macroscopicamente sésseis, deverão ser tubulares microscopicamente), com displasia leve ou moderada.
Adenomas múltiplos ou com mais de 2 cm de diâmetro, sésseis vilosos (ou tubulo-vilosos) ou com displasia acentuada, são considerados de alto risco.

É recomendável que todos os pacientes com adenomas do intestino grosso sejam submetidos a colonoscopia com exame de toda a extensão do intestino grosso e que , dependendo da sua classificação em grupo de alto risco ou de baixo risco, sejam acompanhados endoscopicamente com uma periodicidade maior ou menor. A pesquisa periódica de sangue oculto nas fezes também é utilizada neste acompanhamento.

Apenas uma pequena parte dos adenomas do intestino grosso (em torno de 5%), evoluirá para um adenocarcinoma (tumor maligno).

Pacientes com polipose familiar do colon apresentam centenas ou milhares de adenomas no intestino grosso por causa de um defeito genético (autossomico dominante) e certamente terão um adenocarcinoma do intestino grosso.


A neoplasia maligna mais frequente e mais importante do intestino grosso é o adenocarcinoma(neoplasia epitelial maligna glandular).

O adenocarcinoma do intestino grosso tem distribuição variável de acôrdo com a região geográfica, sendo mais comum na Europa Ocidental, América do Norte e Austrália e menos comum na América do Sul e Ásia.

Esta variação é relacionada a fatôres genéticos e ambientais (principlamente alimentares).

Acredita-se que, enquanto a tendência ao aparecimento de adenomas seja influenciada por fatôres genéticos, a sua progressão para adenocarcinoma seja determinada por fatôres ambientais promotores da carcinogenese.

Fibras vegetais , cálcio e pequenas quantidades de selênio são fatores protetores, enquanto que dietas ricas em gorduras e carbohidratos não refinados são associadas com uma frequência maior de carcinomas.

O adenocarcinoma do intestino grosso vai se tornando mais frequente com o aumento da idade, sendo na maioria das vezes diagnosticado por volta dos 60 anos de idade. É mais frequente nos homens do que nas mulheres.

A maioria dos adenocarcinomas do intestino grosso desenvolve-se a partir de adenomas pré-existentes. A retocolite ulcerativa de evolução prolongada e com surtos frequentes também é uma condição pré-disponente.

Há uma maior tendência ao aparecimento de adenocarcinomas em diversos membros de uma mesma família, sendo o risco maior em descendentes diretos de indivíduos que apresentam o tumor em idade mais jovem (menos de 45 anos de idade).

Cerca de 50% dos adenocarcinomas do intestino grosso ocorrem no colon sigmóide e no reto. A seguir na ordem de preferência vêm o ceco e o colon ascendente.

Macroscopicamente os adenocarcinomas podem ser vegetantes, ulcerados ou infiltrantes difusos.
Geralmente os tumores do reto são ulcerados, causando sangramento retal, tenesmo e mudança do hábito intestinal.
Já os tumores do ceco tendem a ser vegetantes, produzindo anemia (por causa da perda crônica de sangue) e massa na fossa ilíaca direita.

Microscopicamente a maior parte dos adenocarcinomas do intestino grosso (80%) são bem diferenciados, sendo os demais pouco difenciados, com pequena tendência à formação de glândulas e muitas vezes contendo muitas células em "anel de sinete".

A disseminação desses tumores ocorre por:

Os locais mais frequentemente atingidos pelas metástases são os linfonodos regionais e o fígado.

O prognóstico é influenciado não só pelo grau de diferenciação do tumor, mas também pela profundidade da penetração na parede intestinal e da presença ou não de metástases.

A classificação de Dukes classifica os tumores do colon em 3 estágios de acordo com o seu grau de penetração:

Existem ainda outros esquemas de classificação (Astler-Coler - que é uma modificação da classificação de Dukes), TNM - que leva em consideração o grau de penetração do Tumor, presença de invasão de linfoNodos e de Metástases à distância.

Tumores restritos à parede intestinal, sem metástase têm uma grande chance de cura cirúrgica (Estágio A de Dukes - mais de 80% de sobrevida em 5 anos). Já aqueles avançados têm um prognóstico pior (Dukes C - menos de 40% de sobrevida em 5 anos).