Colpocitologia Oncótica

    Este exame se baseia no exame de células descamadas do útero e da vagina e de células obtidas por raspagem delicada do orifício externo do colo e da endocérvice (colheita tríplice), que são colocadas em lâminas de vidro (esfregaços), fixadas (geralmente em álcool) e finalmente coradas segundo a técnica de Papanicolaou.

Colo uterino

Colo uterino, visto de frente. Notar o orifício externo, que conduz ao canal cervical e onde costuma haver transição do epitélio ectocervical escamoso para eptilélio endocervical cilíndrico simples.

Colo uterino

Colo uterino, visto de frente. Notar que a junção escamo-colunar está fora do canal cervical.

Colo uterino

Vagina e colo uterino abertos longitudinalmente e vistos de cima. A vagina está a esquerda e o colo está à direita. Notar no meio da foto, o orifício externo, que conduz ao canal cervical.

    Tais células são obtidas utilizando-se uma espátula de madeira e uma escova apropriada e fazendo-se uma lâmina de cada área (ou fazendo-se os três esfregaços em uma lâmina), que devem ser imediatamente fixados em álcool a 95%. É importante que o material não seque antes da fixação pois isto prejudica o exame microscópico.

Espatula e escova para coleta de preventivo

Espátula de Ayre e escova endocervical para coleta de material para exame preventivo do câncer do colo uterino.

    O material é então corado utilizando-se o método desenvolvido por Papanicolaou e consiste na utilização de três corantes:

1 - Hematoxilina de Harris – a hematoxilina é um corante básico, que cora os núcleos celulares.

2 - Orange G – tem cor laranja e cora o citoplasma das células ceratinizadas.

3 - EA-36 ou EA-50 – cora o citoplasma das células superficiais, intermediárias, parabasais, endocervicais e leucócitos. Este corante contém uma mistura de corantes: verde luz, que é verde, eosina amarelada, que é vermelho-amarelado e castanho Bismarck, que é castanho. Cora o citoplasma das células: em vermelho as células superficiais, em verde as células intermediárias, parabasais, endocerviais e leucócitos.

Céluas superficiais e intermediárias.

Células superficiais (coradas em vermelho) e células intermediárias 
(coradas em verde)

Células endocervicais

Grupo de células endocervicais normais


Células endocervicais

Outro grupo de células endocervicais normais

    Esta técnica permite, principalmente pela observação dos núcleos das células, perceber neoplasias malignas e lesões pré-malignas do colo uterino. 

    O diagnóstico precoce é fundamental pois possibilita tratamento mais eficiente e menos mutilador do que o tratamento de lesões avançadas.

    As lesões avançadas geralmente são descobertas quando a paciente já apresenta sintomas da doença.

    Permite também fazer a avaliação do estado de estimulação hormonal pela determinação do tipo celular predominante: predomínio de células epiteliais superficiais denota estimulação estrogênica, predomínio de células epiteliais intermediárias denotam estimulação progesterônica (2ª fase do ciclo ou gravidez) e esfregaços ricos em células profundas (parabasais e basais) caracterizam a falta de estimulação hormonal e atrofia do epitélio vaginal que ocorre após a menopausa.

Célula superficial, corada em vermelho, entre duas células intermediárias

Veja na figura acima uma célula superficial, cujo citoplasma é avermelhado e cujo núcleo é picnótico, entre duas células intermediárias. Há grande quantidade de bacilos de Döederlein.

Células parabasais

Veja na figura acima diversas células parabasais.

Células parabasais

Veja na figura acima diversas células parabasais. Note como as células são menores do que as intermediárias, mas os seus núcleos são maiores.

    A principal utilidade deste exame é a identificação de células contendo alterações características de processos neoplásicos pré invasivos, geralmente chamados de neoplasias intra-epiteliais cervicais (NIC) e que podem ser tratadas de maneira conservadora e eficiente, evitando assim a progressão da doença para uma fase mais grave (carcinoma invasor).

Esfregaço apresentando células epiteliais, com atipias nucleares tais como variação do seu tamanho e forma.

Esfregaço apresentando células epiteliais, com atipias nucleares tais como variação do seu tamanho e forma.

Esfregaço apresentando células epiteliais, com atipias nucleares tais como variação do seu tamanho e forma.

Esfregaço apresentando células epiteliais, com atipias nucleares tais como variação do seu tamanho e forma.

Esfregaço apresentando células epiteliais, com atipias nucleares tais como variação do seu tamanho e forma.

Esfregaço apresentando célula epitelial, com atipias nucleares tais aumento do volume nuclear e distribuição anormal da cromatina e hipercromatismo.

Corte histologico de carcinoma in situ do colo uterino.

Corte histológico apresentando epitélio plano estratificado com células atípicas e mitoses que acometem toda a espessura do epitélio, desde a camada mais profunda, até a superfície (NIC III - Carcinoma in situ).

    Permite ainda perceber agentes causadores de infecções (fungos, protozoários, bactérias) e detectar alterações celulares produzidas por infecções por vírus (HPV, herpes).

Esfregaço apresentando algumas células epiteliais, com atipias coilocitoticas.

Esfregaço apresentando algumas células epiteliais, com atipias coilocitóticas. Elas são reconhecidas por apresentarem um halo claro em torno do núcleo, que geralmente é ligeiramente hipercromático e tem sua forma um pouco irregular.

Esfregaço apresentando algumas células epiteliais, com atipias coilocitoticas.

Corte histológico apresentando epitélio plano estratificado com atipias coilocitóticas. As células coilocitóticas têm um halo claro em torno do núcleo, que geralmente é ligeiramente hipercromático e tem sua forma um pouco irregular.

Esfregaço apresentando além de algumas células epiteliais, grande quantidade de leucócitos e alguns esporos de fungo.

Em meio a células epiteliais e grande quantidade de leucócitos, notamos alguns esporos de fungo, de cor ligeiramente avermelhada.

Esfregaço apresentando além de algumas células epiteliais, grande quantidade de leucócitos e uma pseudo-hifa de fungo.

Em meio a células epiteliais e grande quantidade de leucócitos, notamos uma pseudo-hifa de fungo, de cor ligeiramente avermelhada.

Método semelhante pode ser realizado no exame de líquidos corporais (urina), secreções (escarro), derrames (líquido ascítico), lavados (lavado brônquico) e material obtido por punção com agulha fina (punção da glândula tireóide) para diagnóstico de tumores.